O setor público também sofre com a pandemia

Quase R$ 1,8 bilhão de prejuízo em três meses. Essa é a estimativa do governo da Bahia e da prefeitura de Salvador na queda da arrecadação aos cofres públicos em decorrência da pandemia do novo coronavírus. Apesar do discurso que a iniciativa privada seria a grande vítima da crise econômica, os dados apontam que o setor público também sofre os grandes impactos da Covid-19. E não há uma perspectiva de melhora em um curto espaço de tempo.

Pesquisa desenvolvida pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que 61% dos brasileiros acreditam que vai demorar pelo menos um ano para que haja a retomada econômica plena do país. É uma perspectiva bem real, visto que as ações adotadas pelas instâncias de governo não resultaram em um freio para a galopante crise que nos aguarda. Falta uma ação integrada entre os entes federativos e até mesmo uma pauta uniforme, que permita uma agenda econômica coesa para o enfrentamento da pandemia.

Por mais que haja um sentimento que os governos merecem sofrer mais do que a iniciativa privada, é necessário ter muita cautela para essa avaliação. A crise sanitária instalada pelo coronavírus explicitou que a presença do Estado para gerir problemas como o atual é imprescindível. É como se o tsunami liberal que ameaçava o Brasil tivesse sido forçado a se tornar uma marolinha, ainda que temporariamente. Sem os parcos recursos disponíveis – sem levar em consideração as recorrências de desvios de recursos públicos -, seria impossível conduzir o Estado (incluindo União, estados e municípios) a um porto menos turbulento.

É claro que é necessário enxugar as atividades realizadas pela máquina pública. Há excessos e, aos poucos, com a maturidade da democracia (sim, ainda vivemos nela), talvez atinjamos um equilíbrio ideal. Porém a sinalização desse crescente prejuízo aos cofres públicos, como apresentados pela Bahia e por Salvador, mostra que a gestão dos serviços pode ser impactada negativamente. Se não houver a precarização, especialmente como aconteceu no passado (admitamos que Rui Costa e ACM Neto fazem boas gestões fiscais), é possível que o coronavírus seja superado sem maiores traumas para a população baiana.

Um Estado pobre reflete não apenas na política. Vai ter impacto na prestação de serviços, algo básico do papel desse mesmo Estado. Mesmo os autoproclamados não dependentes da estrutura estatal foram obrigados a pedir apoio durante a pandemia, sob o risco de tornarem seus negócios inviáveis. Por isso o alerta, como bem disse a ex-presidente Dilma Rousseff: “Não acho que quem ganhar ou quem perder, nem quem ganhar nem perder, vai ganhar ou perder. Vai todo mundo perder”.

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