‘A direita é contra a corrupção, mas os corruptos são sempre os outros’, diz historiador

 

A prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não deve frear o palanque eleitoral construído pela direita a partir das denúncias contra o petista. Esta é, pelo menos, a avaliação feita pelo historiador político Carlos Zacarias. Segundo o professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba), “a direita no Brasil sempre se construiu na base de denúncias de corrupção e discursos moralistas”. Zacarias lembra da pressão exercida durante o governo de Juscelino Kubitschek (PSB) e do slogan do seu sucessor, Jânio Quadros (PDC): “A gestão de JK foi envolta de denúncias da oposição que nunca foram comprovadas”. “O sucessor de JK, Jânio Quadros, tinha como símbolo a vassoura. O slogan do governo era ‘varrer a corrupção’”, lembra ao comparar as estratégias usadas pela direita. 

Com sustentação política que usa de base a luta contra a corrupção e o denuncismo, Zacarias ainda nega que o Brasil seja o “país da impunidade”, como é vendido por setores mais conservadores. “É falsa a ideia de que os poderosos são intocáveis no sentido que se atribui a suposta intocabilidade de Lula. O ex-presidente não é um poderoso tradicional. Esse poderosos estão soltos”, discursou. Um caso é lembrado para exemplificar a questão: o processo contra Eduardo Azevedo (PSD). Segundo Zacarias, a denúncia contra o senador ainda não foi julgada e corre o risco de prescrever pelo tempo. “A direita constrói seu discurso com base na luta contra a corrupção, mas os corruptos são sempre os outros”, ironizou. “É lamentável porque, depois da prisão de Lula, temos um país tão corrupto quanto tínhamos”, completa o historiador político. 

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